Montadoras continuam vendendo airbags defeituosos, diz relatório

Inflador de um airbag da Takata retirado de um carro da Honda, em 2015 (Foto: Joe Skipper/Reuters)

Inflador de um airbag da Takata retirado de um carro da Honda, em 2015 (Foto: Joe Skipper/Reuters)

Montadoras continuam vendendo carros equipados com airbags da Takata que são considerados defeituosos e terão de ser trocados no máximo daqui a 3 anos, aponta o relatório de um senador americano sobre o caso dos “airbags mortais”.

O democrata Bill Nelson, do Comitê de Comércio, Ciência e Transporte do Senado americano, divulgou na última quarta-feira (1º) um extenso estudo sobre o problema da fabricante japonesa que resultou no maior recall da história, atingindo dezenas de milhões de veículos em todo o mundo, inclusive no Brasil.
No relatório, Nelson diz que carros novos ainda estão sendo equipados com airbags feitos pela Takata e contendo nitrato de amônio, o que não é proibido, mas é considerado uma “solução temporária”, pois terão de ser substituídos mais para frente.

O defeito

O nitrato de amônio é uma substância usada pela Takata para inflar os airbags. Ela é apontada como uma das possíveis contribuintes para o caso dos “airbags mortais”.
A falha faz com que as bolsas sofram forte explosão, lançando pedaços de metal contra os ocupantes dos carros. Até o mês passado, havia 13 mortes relacionadas ao caso, 11 nos EUA e 1 na Malásia, e relatos de mais de 100 feridos.
Desde que veio a público, em 2013, até hoje, o motivo da falha nos airbags da Takata não foi explicado completamente.
Em fevereiro último, cientistas da empresa aeroespacial Orbital ATK contratados por um grupo de 10 montadoras afirmaram que a falha ocorria por uma combinação de fatores.
Segundo eles, os airbags da Takata não possuem uma substância capaz de reduzir a umidade, que contamina o nitrato de amônio. O nitrato, por si só, é relativamente pouco explosivo. Ele se apresenta como um pó branco e é seguro, desde que não aquecido. A partir de 210 °C, decompõe-se e, se a temperatura aumentar para além de 290 °C, a reação pode tornar-se explosiva.
O risco é maior após longa exposição do carro ao calor ou a ambientes úmidos. Além disso, a montagem do dispositivo da Takata permite que a umidade penetre no airbag e corrompa partes metálicas, que se quebram na explosão, rompem a bolsa e atingem os ocupantes. Lesões observadas em uma vítima nos EUA foram comparadas a facadas.
Baixa adesão aos recalls
De 2013 até maio último, cerca de 30 milhões de veículos de diversas marcas equipados com esses airbags foram convocados a voltar às concessionárias para trocar o equipamento. Somente no Brasil foram mais de 1 milhão.
O senador Nelson aponta 2 problemas relacionados aos recalls desses equipamentos nos EUA. O primeiro é o baixo índice de comparecimento. Segundo o relatório, em março último, esse percentual no país variava entre 0% e 39,5%. É bem abaixo da média de atendimento a recalls nos EUA, também considerada uma média mundial, de 65%.
A dificuldade maior está nos veículos antigos, por falta de dados atualizados do dono, para comunicá-lo do recall, motivo apontado por montadoras também no Brasil para baixos índices de adesão nos chamados feitos no país em 2015.

Airbag defeituoso à venda

A segunda questão é que os airbags que foram substituídos deram lugar, em sua maioria, a outros da Takata que também contêm nitrato de amônio. “Até então, aproximadamente 4,6 milhões de airbags foram trocados por outros desse tipo (nos EUA). Ou seja, terão de ser trocados no futuro”, detalha Nelson.
Parte desse montante – 2,1 milhões – usam nitrato de amônio não-desidratado, considerado pela agência de segurança de transporte dos EUA (NHTSA) menos perigosos do que infladores mais antigos porque estiveram menos tempo expostos a umidade.
No entanto, a NHTSA chama esse tipo de airbag de “solução temporária”. No último dia 4 de maio, a agência obrigou a Takata a considerar todos os airbags frontais com nitrato de amônio não-desidratado como defeituosos. Assim, o número de veículos envolvidos aumentou em 40 milhões, ou 1 a cada 4 carros que circulam atualmente nos EUA.
Essa segunda parcela terá os chamados iniciados em 2018 e a substituição deve ser feita até o fim de 2019. Mas o relatório diz que, mesmo sabendo da medida, há 4 montadoras que continuam vendendo ou têm planos de vender carros com airbags desse tipo, que terão de ser substituídos até daqui a 3 anos.
O senador explica que ao menos 10 montadoras estão negociando airbags com outros fornecedores ou têm planos de fazê-lo; 2 disseram que não manterão a Takata como fornecedora.

 

Fonte: G1

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